Vim aqui dizer que aprendi a absorver as flores do campo e que durante a noite, quando o silêncio grita dentro de mim e a vontade de voltar atrás e abrir a porta que eu mesma fechei é maior do que a saudade, eu volto para um campo imaginário.
É lá que grito seu nome infinita vezes e choro.
Às vezes, ouça uma música lá fora. O homem da reciclagem canta uma canção de amor rua afora… faço comparação entre a voz dele e a sua. Acha que posso confundir?
Busco o baú de lembranças e está lá o sol, a lua e as três graças do poema torto, dos deuses mitológicos que a história nos contou.
Há também na caixinha ao lado meus comprimidos coloridos que parecem bijuterias – tiram as dores, aliviam a alma – fazem com que eu te conte as histórias que não viveremos, levam meus braços aos ventos como se fossem abraços.
Aprendi a olhar a noite como se fosse um campo de flores e lá no fim da paisagem, você, dentro do meu amor.
Mariana Gouveia
das palavras das cartas
Agosto é o mês de escrever cartas e de Beda.
Participam junto comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Darlene Regina – Mãe Literatura –
Suzana Martins – Roseli Pedroso
Imagem: Fabrizia Milia

Bateu uma vontade de sentar num daqueles balanços de varanda e tomar uma xícara de chá de flores azuis. Era o que fazia na casa da Portuguesa da rua da minha infância. Essas leituras suas… hunft
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Aqui, eu olho a lua enquanto suas ruas estão molhadas…
não tenho flores azuis para o chá, mas tenho alecrim…
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