Perto da janela desejou voltar no tempo,
costurar pedaços pequenos de lembranças na memória.
Sentia que esquecia,
às vezes,
as sensações que viveu.
Tocou o céu com os olhos.
Lembrou das chuvas.
Mexeu nas anotações da mesa.
Sentiu saudades.
A flor, quase sol em giro,
trazia à memória os poros.
Miúdas flores como se fosse pele.
Digitais
No canto do lugar
– o cheiro –
como um arqueólogo
vasculhou antiguidades dentro dela.
Revisitou estações noites inteiras.
Pele, toque, mão.
Os sentidos aguçados no instante de amar.
Ela – artista –
quando a amo e desenho partituras em seu corpo.
Um modo de amar é assim.
Na loucura que herdou.
Em silêncio e cansaço.
Em guerra e paz.
Da pele
– a palavra –
de um dia que se abria
e que não havia código a decifrar…
Era apenas ela e mais nada.
Mariana Gouveia
Ph: Els Vanopstal

Adorei o poema . Emocionante . Maria
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grata, Maria! ❤
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A textura da pele é o próprio código… mas decifrá-lo? Não sei…
Acho que prefiro imaginar roteiros
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É melhor imaginar os roteiros… rs
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