Exato
De fato,
o corpo briga,
a vontade chega.
Retrato,
de 3×4
na semana inteira.
Quando revirei o baú de retratos as carteirinhas com os retratos 3×4 feitos para os documentos trouxe para o momento as memórias antigas. Junto delas, os monóculos que trazem lembranças de um tempo que não voltam mais.
Desde a morte de meu avô paterno minha mãe vivia sempre de luto. As fotos – tão poucas – que restam dela, não difere tanto uma da outra. Mesmo quando precisava de fotos para algum documento, lá estava ela e seu vestido preto. Ela só veio tirar o luto um mês antes de sua morte. Foi quando vestiu o vestido florido que ela mesmo fez.
Algumas fotos arrancam risos por aqui e muitas vezes me pergunto quais os sonhos que povoava a cabeça daquela menina-mulher? A foto acima era para o crachá da emissora de rádio e naquele tempo eu só queria usar o microfone para falar de poesia e canções.
Com o passar do tempo os cabelos foram modificando e os sonhos também. Mas a arte sempre presente de alguma maneira e as borboletas também.
O baú, além de fotos antigas, guarda também momentos. O filho tão menino ainda, na foto que o colocava como cidadão do mundo no primeiro documento.
Para tão logo depois – como o tempo passa rápido dentro dos dias – ser senhor de si e sair à procura de seu lugar.
As fotos desbotadas mostram os dias dentro de nossas vidas. Os monóculos guardam memórias. O casamento de meus pais. Eu, a segunda na foto, em cima de uma cadeira. A mãe e o olho de luto nesse dia em que a vida se perdeu. O baú hoje, trouxe apenas saudades.
Mariana Gouveia
Projeto Fotográfico 6 on 6 – Scenarium Livros Artesanais
Participam desse projeto:
Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso – Lunna Guedes






Ah Mariana, nós cancerianas sempre nos movendo pelas emoções e sentimentos. Muito lindo seu texto, suas memórias e registros. Meu texto, assim como você, bateu uma baita saudade. Abraço saudoso
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Você viu que eu sou sua fã, né? Grata tanto! A saudade, como dizia meu pai, é um chá que temos que bebê-lo, mesmo amargo. Cura? Não, mas alivia. beijo
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Belas e verdadeiras palavras proferidas por seu pai. Bj
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Fiquei a observar os textos, sem dar tanta importancia as fotos, eu sei que não é novidade. Mas depois voltei para apreciar os retratos e li tudo de novo, como se estivesse fazendo um álbum ou espiando dentro do monóculo. Nunca curti muito esses objetos porque eles me incomodavam devido a miopia. Mas tinha vários a casa. Uma vez o mio babo comprou um antigo que tenho guardado até hoje. É lindo, mas nunca colocamos uma fotografia nele. rs
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Eu tenho alguns aqui… Alguns, de minha mãe. Outros, do Buuu… quase bebê. Era pura barriga.
Confesso que me causa mais emoção pelas lembranças do que pela fotografia.
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Bom demais ter com isso… Lindos dias Mariana.
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Grata tanto!
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Esses binóculos parecem fazer parte da bida de muitos. Tenho alguns, dois quais consegui extraí imagens que acabei por postar. São registros inestimáveis!
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Eu tenho alguns também, Obdúlio… não consegui ainda revelar eles. Abraço
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