Divã

Teu aroma de vinil

seu aroma de vinil

“Analógica você
Cartas num papel de pão
Teu aroma de vinil
Me inspira”
Maria Gadu

Permitiu a espera.
Passos lentos atrás da cortina. Canção que fala de música.
Quis dançar. Lembrou de danças de outrora. No quintal vazio. Só as duas. O céu povoado de estrelas. Abraço apertado enquanto olhos vasculham se alguém espia pelo muro. Coloca no repeat a música. Já sabe a letra de cor.
Digita errado o recado que queria dar.
Fala apressada, como se depois não conseguisse mais.
Foi dia de cumprir promessas. Tudo saiu fora da rotina.
Ela não anota nada. Pensa apenas que viveu tudo que podia viver.
Tem ainda o gosto do beijo na boca. Inventa nomes para os sabores sentidos.
Agridoce na lógica da alma.
Pensa nos signos e no mapa astral que a música sugere.
Viu os recados enviados na ausência. A secretária do médico lembra do exame. Alguém disse que sentia saudades. Não tinha ligações dela. Nem podia.
Faltou o ar. Corre até a janela. Reparou que a cortina foi trocada.
O estilo meio vintage combina com o dia de hoje.
A moça do tempo fala de mais frio. O pé gelado aquece o outro.
Sai sem despedir -é possível que ainda volte hoje – há tanta coisa pra falar. Momentos vividos que a canção registra.
Lembra do disco de vinil da canção preferida. Perdido no baú das lembranças.
Faz o que a canção sugere ao tocar o dedo na boca.
Inspiração no aroma do vinil que Maria Gadu canta.
Analógica se sente. Vai em busca da vida.

Mariana Gouveia –
É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega –  Ale Helga – Mãe Literatura 

*fotografia Tumblr

só porque em alguns dias nem a terapia resolve

 

4 comentários em “Teu aroma de vinil

  1. Sempre bom ler-te ao som de uma música antiga que me leva para muito além de mim e de meus anos tantos-todos. Fiquei a circular por frases, emoções e de repente parei em Maria Gadu, a moça de cabelos curtos e gestos tão meus. Nunca me lembro da voz dela ou de que canta. Eu a vejo porque sua figura me lembra alguém. Mas não a ouço, mesmo quando toca. rs

    ai ai ai

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  2. eu amo Gadu além do tempo… qualquer canção que eu ouça eu penso na voz de Gadu… Eu amo ela pelo eco da emoção da espera, da presença e amo simplesmente porque ela sempre atravessa minha alma em um grito que eu sou. Acho que ela nuca saberá de mim. Nunca nem ousei escrever uma missiva à ela…. mas tenho textos – ou seriam músicas? – que guardo num potinho pensando na sonorização dela. Assim, como escrevo textos pensando em tua voz lendo… a lua cumpriu seu mestrado de nome aqui…. Lunna tu….

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