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Às vezes ouvia músicas que trazia momentos. Meio relicário, sei lá… O rádio tocava a canção e ela queria dançar.
Também usava palavras que não eram suas para dizer que a amava. Palavras da própria canção que ouvia e que ela queria dançar.
Era um desejo secreto.
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E o silêncio tomou conta de tudo. Ao percorrer os aposentos nesse dia buscou ela em cada canto.
O espelho mostrava a estranha em que ela mesma havia se transformado.
Não havia mais música tocando.
Só o vidro vazio do seu perfume continuava a exalar a essência que ela tanto buscava nos lençóis, no travesseiro.
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E havia ainda o sabor da sua pele, a textura, aquela maneira de apenas fechar os olhos e tocá-la…quase sentia o gosto.
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Chovia. Chovia sempre. E as palavras dela sobre a chuva ecoavam por ali…
e a maneira como ela lia Maria Teresa Horta ficou registrado: Ah, essa Maria Teresa!
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Também sentia a sua falta: a suavidade plena de pensar nela ali.
bebia o café junto com ela. Era assim que o dia começava a ser lindo.
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Um dia, o rádio tocará a mesma canção e ela estará ali ao alcance dos beijos e das mãos.
Mariana Gouveia
