Começou a escrever a história pelas mãos dele – as mesmas que arrancam as ervas do jardim – é a que cuida do jantar e me levanta quando acontece dias como esse.
Calçou-me os sapatos e riu. Brincou com as bolinhas da roupa.
Perguntou sobre a estação. Colheu as amoras. Quis receita de geleias.
Cantou desajeitado na sorte da palavra. Sempre era o lugar daqui.
Ligou o rádio. Me olhou com olhos de serenata.
A intimidade contemplada. Desafiou-me ao riso.
Falou da geografia das horas.
– O tempo é o sinal de tudo. Tudo passa.
Mostrou-me o jardim. Era ali a direção da cura.
Fui.
Mariana Gouveia
Série Ser de flor

Que belo !!!!
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Grata, Sil! Beijos
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E já começo setembro com qualquer coisa de silêncio por dentro.
Houve uma época que a palavra cura me incomodava, hoje não mais.
Hoje parece aquela fita que as mães colocam para evitar que o corte infeccione. rs
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A palavra cura tem vários significados para mim… mas gostei da referência ao band aid…rs
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