Corredores, Codinome Locura

A mesma noite em um dia.

Fazíamos aquela rota duas vezes na semana. Entrar floresta adentro.
Ela sempre ia à frente com seu andar manso e olhar investigador. Meu irmão mais velho,  lá atrás, de vez em quando apertava o passo para me manter sob vista e com o capim na boca.
Eu perguntava sobre tudo. Que flor era aquela? Que pássaro cantou? Que barulho foi esse?
Ela sempre respondia com mais coisas do que eu havia perguntado.

Quando o caminho ficava estreito, a floresta se fechava como um portal e já estávamos dentro dela. Eu  adorava aquele cheiro, aquelas cores e aquele encanto.
Parecia noite ali e era dia claro lá fora. Era como se eu tivesse atravessado o portal entre o segredo do dia e da noite.
Colhíamos os cogumelos até o meio dia. Depois era a hora do almoço e quando meu irmão se aproximava mais.

Eu aspirava o cheiro das folhas e tudo que envolvia o encanto e a floresta. Ela vistoriava cada canto onde encontrava os cogumelos, mas dessa vez eu os encontrei, meio ao acaso depois de acompanhar um voo das borboletas.

– Os cogumelos dourados! Gritei…

Delicadamente ela os colheu com o canivete e colocou em minha cesta e ganhei o colar de flores…
Depois passávamos a colher as folhas que eram remédios. Voltávamos no fim do dia…
E quando saímos estrada afora, além da mata densa a noite se preparava pra acordar do lado de fora.
Era como se eu pudesse viver no mesmo dia duas noites.
E sempre quando relembro daqueles dias é como se a floresta renascesse dentro de mim.


Mariana Gouveia
Agosto é o mês das florestas e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Adriana Aneli –Darlene Regina

12 comentários em “A mesma noite em um dia.

Deixe um comentário