Eu sempre colhi os cogumelos… principalmente os negris – um nome que a fada meio bruxa meio flor colocou para separar os especiais, dela, que curava e podia matar…
– Esses – ela dizia. Devem ser colhidos por mãos leves que tocam seda…
Eu sempre toquei sedas. Bordava elas em forma de véus com fios de algodão que minha mãe tecia. Talvez por isso, os cogumelos me encantavam, até os mais venenosos e eu ria quando meu irmão passava longe deles, achando que só de passar perto, morreria.
Um dia, à beira do lago que circundava a floresta ela sussurrou olhando minha cestinha cheia dos negris – o psilocybe semilanceata – que segundo ela, bastava um pequeno pedaço para matar alguém. Mas, que sabendo lidar com ele, podia salvar vidas.
– Toque nele… e tirou um mais volumoso e colocou na minha mão. A maciez era surpreendente. Parecia que a qualquer momento se transformaria no cetim suave dos tecidos.
– Não! – ela me interrompeu – toque com os olhos fechados e sinta a textura e a emoção dele. Um dia, ao leve toque da alma entenderá esse momento. E saberá o que quero dizer. Quando as emoções transpassarem a fronteira do querer e a vontade ser mais forte do que o que tem que ser… me entenderá. Aí, eu já serei poesia.
E você já viverá poesia. E mesmo que seja um sentimento passageiro será tão intenso que será eterno.
Hoje, quase 47 anos depois eu entendo e sinto a linguagem do toque e para não esquecer, cultivo minhas memórias regularmente… Cultivo elas como se fossem flores para que esses momentos permaneçam em mim, assim como a poesia que ela tanto falava.
Mariana Gouveia – Das delicadezas dos instantes
Agosto é o mês das lembranças e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia Leonardi – Obdúlio Ortega – Lunna Guedes – Roseli Pedroso – Adriana Aneli – Darlene Regina

Lugar mágico em que vive, em brechas passeiam ao luar…
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Bruxas se transformaram em brechas. Deve ser ciúme do Bruxo Corretor.
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Olha só elas atacando de novo! Abraço, moço!
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Estão por aqui sempre…
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Narrativa de um EU conectado a memórias vivenciadas e cultivadas como flores.
Gostei.
Maria
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Grata, Maria! Abraço
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Aprendi a tal linguagem do toque ainda menina, com uma criatura incrível, a nonna e sua voz de mulher-velha-enorme. Quando se é miúda, todas as pessoas são enormes. Ela enfiava a mão da vasilha de louça e misturava os ingredientes. O preparo da massa dependo do toque, é o último dos elementos. Uma boa massa deve ter tudo de nós… rs
Mas eu nunca colhi um cogumelo…
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eu vi tu usar essa linguagem em tua cozinha… e posso dizer que a nonna te ensinou bem…
E sei que o sabor sabe a carinho também.
Bacio
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