
Contei os dias de espera.
Eram muitos e não couberam nos dedos.
Um pássaro surgiu amedrontado do nada. Um gato espiava o feito da janela vizinha.
No telhado, as mangas caíram com o vento que cantou seu nome a noite inteirinha.
Havia cheiro de maresia nas cortinas, nas palavras que a canção entoava. Havia você ali em tudo que é vontade.
Li poemas antigos que eram seus. Que são seus.
Lembrei do gosto do café em sua boca. Da palavra estranha dita em outro idioma.
Você bebia sol nas manhãs que eu te dava. Como se fosse pílulas para curar a solidão.
Hoje, olho o frasco vazio e cheio de saudade.
Nada cabe em mim na imensidão das coisas. Tudo é essa presença vazia da palavra.
Tudo que te mando volta como se fosse recusa.
E cada dia morre em mim a esperança.
Mariana Gouveia
*imagem: Tumblr
O seu trabalho é muito gostoso de ser lido, Mari!..
Eu adoro essa ” delicadeza ” que você tem com as palavras.
Parabéns!🍀
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Muito Obrigada, minha flor! Fico toda envaidecida! Abraço
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Merece!👏🏻👏🏻👏🏻
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❤
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Marejaram-se os olhos aqui. Quanto sentimento descrito de forma tão singela e precisa!
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Muito obrigada, Viviane! Sua linda! Beijos
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