e o pouso imaginário era de um homem, só o canto. Cabia na certeza das coisas o afeto rabiscado na parede crua. O muro tinha a tinta apagada e as folhas do pé de algodão caíam no quintal.
A senhora na janela do outro lado da rua resmunga a solidão e o roubo das frutas. Nunca sabe se planta para si mesma ou para as aves, que as roubam antes mesmo de provar. Escrevi mais cartas para os envelopes coloridos e joguei fora lembranças mornas de amor.
No baú não coube mais as notícias diárias e nem as receitas das noites de insônia. A ternura pousa na minha frente e tem asas de delicadeza no azul. Sabia do encantamento da ave e quis repetir que não havia dado nome a ela. Nome é essa coisa pelo qual te chamam e você se reconhece dentro dele… mas o que dizer de um pássaro que é estrangeiro no céu que voa?
Mariana Gouveia

Captivating writing, as always.
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Thank You! ❤
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My pleasure. 💐
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❤
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