acima de tudo
tenho saudade de duas cores
azul e
ver-te
Xilre
Ainda era madrugada quando a insônia bateu… Lembrei-me de que era nessa hora que você ia dormir. Esse tempo e o caos que se abateu sobre o mundo mudou nossos hábitos e vamos driblando as coisas que nos toca e nos choca. Eu faço revisitas quando a insônia bate. Vou aos lugares que me abraçam e dessa vez fui até você e sabe do que mais me lembrei? Do cheiro do seu bolo de fubá e voilá! Fui para a cozinhar fazer um bolo…
Um galo canta na vizinhança e coloco Léon para me acompanhar. Os pássaros já fazem algazarras lá fora e pego todos os ingredientes sob o olhar atento de Lolla. Já te falei que ela tem uma loucura por cozinha? Basta ir na cozinha e ela acompanha com olhar pidão, como se ficasse sempre à espreita de alguma lasquinha de qualquer coisa cair e vapt! Yoshi sempre fica na dele como se dissesse que os humanos dele não o deixaria sem comer nunca… menino marrento, que torce o focinho para qualquer coisa que se ofereça a ele e só depois resolve comer e daí, limpa o prato.
Vou adicionando os ingredientes lembrando da ordem de cada um seguindo minhas notas mentais, enquanto faço um café. O cheiro é um carinho na alma e hoje, no dia do café – rio quando lembro-me desse fato – isso de marcar dias das coisas me perturba desde criança… mas, isso, é história para outra missiva.
Os raios do sol já atravessam a janela e a forma vai para o forno. Aproveito os quase trinta minutos para o bolo assar e vou aguar as plantas. As suculentas estão cada vez mais bonitas e as minhas três espécies de trevo também… mas, meu olhar alcança o vaso de hortênsias plantado recentemente e os botões que já haviam começados a florir desabrocharam em tons de lilás… Lembrei-me de um texto seu em um dos blogs que não existe mais que falava sobre a cor. Não lembro qual… mas a alusão à cor e a você ficou marcado.
As hortênsias não são azuis como eu imaginava… são de um lilás que acalma e o vaso recebe a água do regador. Léon repete o refrão e a canção já é outra. Eu aspiro o cheiro do bolo enquanto um dos vizinhos deve ter feito café, porque os aromas se misturam aqui, no meu quintal. Quase grito que dou um pedaço de bolo em troca de uma xícara do café… Parece que o meu não cheira tanto assim…
Desligo o forno e minha memória tem você, tuo bambino e Jane dog… que assim como Lolla fica também à espreita dos farelos ou um pedaço qualquer. Sinto-me presa nessa lembrança e aceito ela como um presente para começar o dia.
Aceita um café?
Grazie per tutti!
Bacio,
Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Insone, leio a sua postagem e consigo ver hortênsias azuis na escuridão do meu quarto…
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Muito obrigada, moço!
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Se sofrer de insônia te causa esses textos costurados de poesia, por favor, continue a não dormir!
Falando em café, estou aqui, passando um.
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Senti o cheiro, minha flor! Abraço
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