Querida Graça,
A caixa de costura ganhou linhas novas. Jogo água nas plantas e busco o botão novo da flor. Todo objeto aqui tem jeito de gente. A tesoura, uma bailarina a ensaiar passos no lençol novo. Alguém confundiu semente com flor e a solidão das coisas apareceu no quintal enquanto garoava. Tudo era a estação errada a invadir o tempo. As paredes inventam nomes rabiscados contando histórias. O micromundo nasce onde ainda há pouco era chuva. Reconheço a figura nova no jardim. Tinha jeito de novidade junto do meu riso e penso que em algum lugar as lágrimas devem molhar as flores. Reconheço o sabor a sal na boca. Toco a brancura da pétala. As flores merecem o afago. Em vez de mudanças, as lembranças cabem dentro das coisas. O Universo é feito de coisas miúdas. O tempo muda e a moça do tempo fala dos próximos dias e eu fico a esperar que mais uma vez ela erre outra vez mais uma vez.
Desvios para atravessar quintais
Diário das quatro estações
Mariana Gouveia
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

*A NARRATIVA de um momento impactante na vida do “eu” ,tão impactante que me tocaram fundo frases como :”As lembranças cabem dentro das coisas “/” o universo é feito de coisas simples “/o tempo fala …”/”as lágrimas molham as flores”*
*Maria *
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Muito grata, Maria! beijo
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Mariana, você tem a sensibilidade de sentir o vento, o auxílio dos pássaros, borboletas, flores – toda a Natureza perfeita – para saber sobre o clima. A pobre moça do tempo tem apenas a tecnologia imperfeita para ajudá-la. Aí, é covardia…
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estou sempre nesse embate com a moça do tempo, Obdúlio…. essa história dela dizer que pode chover a qualquer momento me faz rir.
Grata pelas palavras lindas comigo! Abraço
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Sim Mariana. O mundo é micro e somente o homem acredita ser macro. Pobre de nós. A natureza reverbera a verdade nua, crua e bela através do micro – que compõe esse Universo. Amo suas palavras!
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Muito obrigada, Roseli querida! Amo as suas também! Abraço
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Nossa, viajei enquanto lia… fui parar num lugar distante, a minha infância e ouvi o som da máquina de costura da mulher que ficava comigo nas noites de sextas. Eu adorava mexer numa caixinha dela, cheia de botões coloridos… que louco isso.
Voltei! Viu o que a senhora faz comigo?
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Muito bom essas viagens! Você também faz isso comigo algumas vezes… rs
Bacio
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