“A gula começa quando deixamos de ter fome…”
Alphonse Daudet
O melhor tempero era o que eu sentia junto com ela. Onde eu atiçava os desejos dela e os meus. O arder da chama, o cheiro dela e o querer de me querer era o prato que eu comia e repetia e queria e comia de novo. O gosto que invade a alma e a fome que alimenta o corpo e que mata vontades. Eu queria ter a gula da gula que ela sentia. Até fartar e depois querer mais. Até ser dela por inteira.
As horas voavam no arrastar do tempo e ela dizia:
– Insaciável! Nem a mim serve esse desejo, essa fome.
E entre risos queria de novo e outra vez devorava as vontades. Era sempre as vontades e as privações.
Quando a seda da roupa tocava a pele e era ela universo a incendiar minha alma.
Mesa posta, fome de beijo, sede de boca. Ela me oferecia banquetes e eu sentia a fome da leveza que os olhos dela me oferecia. Na loucura doce de viver.
Não conseguia imaginar minha vida sem ela. Mas devia. Era o rumo natural das coisas. A fome tinha outros paladares, outros pratos. Tão natural que fosse assim.
Mas, ali, em pleno leito de amor eu só pensava que tudo isso podia durar para sempre.
Mariana Gouveia
Série Sete Pecados
Scenarium Livros Artesanais
Ph: Tumblr

You exceeded yourself yet again.
CurtirCurtido por 1 pessoa
You are a dear! Kisses
CurtirCurtido por 1 pessoa
So creative writing work 🙂 “. . . sweet madness of living”- great line. Also welcome to visit travel tales in my blog. Than you. Bliss.
CurtirCurtir
Thank you very much! Loving embrace
CurtirCurtir