
Bambina mia,
Algumas palavras nos abraçam. É quase como alguém que estava de viagem, chegou e o abraço mata a saudade dos dias. Li sua resposta um monte de vezes. Reli em meio a jutas, fios, linhas, agulhas e cores de Natal… e soou tão estranha a palavra Natal. Mas, para quem faz artesanato, natal começa em meados de agosto e reverbera em setembro. São tantas linhas entre o vermelho, o verde, o tecido xadrez, o branco… a barba do Papai Noel…
Fiquei presa na minha ilusão de alguém, pensando como será a vida em dezembro… e fico assustada com a possibilidade de ruas cheias… preciso respirar!
Durante essa pandemia sai muito pouco, por extrema necessidade e vi uma cidade normal. E eu, que antes amava a palavra multidão entrei em pânico, dentro da segurança do carro, vi as faixas de pedestres sendo tomadas por gente… uma multidão!! – sem máscaras, com elas no queixo, na testa, na mão – que cheguei a odiar a palavra.
Recebi uma encomenda para formular tabelas de cores para um trabalho de uma revista. Usei as cores do meu quintal… As cores vão se formando em minha frente e eu penso em você… na modelagem do pão, na cor em que foi se formando quando ele já estava quase pronto e nos utensílios vermelhos de sua cozinha. A palavra suspiro ganhou fôlego no meu peito – é outra palavra que gosto muito: suspiro – parece os doces que minha mãe fazia com claras de ovos e coloria para dar sentido à mesa do natal… Essa é uma palavra que não gosto, apesar de gostar de bordá-lo e enfeitar a vida de alguém.

E devo confessar que acho também a palavra carta extraordinária… e sorvo missiva como quem bebe um gole de ristreto e penso em você enquanto tento imaginar porque alguém sumiria assim, como a sua correspondente. Vejo tantas possibilidades dentro do silêncio, lembro-me de tantas outras que surgiram em minha vida como fôlego de carinho e de repente, viraram fakes de esperança em muitos nomes diferentes. É quase a mesma sonoridade do miss you… e a palavra me leva à uma que minha mãe repetia em um ditado popular…Costume.

Fomos feitos para acostumar. Essas coisas da vida em comum, que ficam marcadas, como a canção do Roberto, que tocava lá na minha infância. O tempo é o remédio para tudo e as manhãs de sábados para a escolha dos ingredientes de um diário, embora hoje ainda seja terça e eu preciso deixar as linhas dessa carta para voltar para as linhas dos bordados.
Grazie mille (outra palavra que amo e que tem a sua sonoridade em mim)
Mariana Gouveia
I wish I wrote this casually and beautifully while jotting down my thoughts that turn into a story.
You definitely have talent for writing, I enjoyed reading this.
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I love writing letters.
Thank you for the words. Hug
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You are really good at articulating your thoughts.
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Thank You so much!
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🙂 🙂
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