Das palavras das cartas

BEDA – Pensei que as cartas viessem no verão,

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em um dia de sol e de melodias no vizinho. De pássaros no céu em bandos como se tivessem rindo enquanto me lembro do provérbio popular sobre as andorinhas. O verão se foi, com gosto e jeito de inverno. Chovia. Quase nem dava de ver o dia da janela do trabalho. Fiquei lá, por horas, a olhar a chuva e imaginar palavras de cartas.

Pensei que as cartas chegariam em pleno verão, com o sol batendo nas cortinas e roupas quarando no varal. Mas não…elas chegarão no outono e pode ser que até lá, as folhas da árvore da esquina ainda não tenham conhecido o chão. E acho que a mesma chuva de fim de verão ronde por aqui de novo. No outono, quando minhas manhãs ganham tons lilases quando o sol nasce, a minha espera tem sabor de herança. Daquelas que a vida trata de encaminhar. De servir de relicário a vida inteira. Quando as cartas chegarem, e as palavras de poesia encherem o ar do outono, as colocarei em molduras, banhadas nas cores da estação. Me escreva uma carta, meu amor.

Mariana Gouveia
*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

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