
A porta entreaberta denunciava o que estaria por vir. Tocou lentamente nos sonhos. Era um costume antigo. Desnuda diante de si mesma, ela sentia-se bem. Enquanto tocava-se imaginando não imaginar nada, absorvia uma cumplicidade divina emanada pelo silêncio.
O vento estragara a possibilidade de um deleite ainda mais profundo na frente do espelho. Os pelos arrepiados pelo auto prazer reverenciavam, aos poucos, a pele sedosa que protegiam.
A calcinha estava bem confortável. Os detalhes em miçangas e um bordado especial nas extremidades do tecido davam um toque de requinte ao que se bastava.
Havia fogo escapando pela pele. Abaixou-se vagarosamente, Respirar.
Numa parte do sonho ela chegava. Havia ocupado a porta e o vulto era apenas reflexo sentido. Não apagou nenhuma luz, tampouco as chamas de si. Ao mesmo tempo em que experimentava o tato do prazer materializado em líquidos claros e consistentes, puxava o próprio cabelo, de maneira suave, punindo-se pelo desejo do orgasmo solitário mas junto com ela.
As cortinas iam de um lado para o outro. O vento que soprara rangendo a porta dança, ao passo que ela faz-se de violão: dedilha e escorrega, onde as notas musicais são expressas pelos gemidos tímidos em lá menor. Todo o corpo reage ao testemunhar seu momento sublime. Os suores percorriam as curvas suculentos e rebolavam sobre as curvas dela. Contração total dos músculos: cruzou as pernas tentando prender para dentro todo o gozo do qual fugia há anos. Não conseguiu. Fora de si, ela continuava lá. Mas a inocência não estava mais nela.
Entorpecida por todo o ocorrido. Logo depois tomou o banho mais leve de sua vida, colocou a mesma calcinha que usara, repôs o vestido de bolinhas verdes que ela adorava. Ela era todo sabor… E ainda é.
Mariana Gouveia
*imagem: Tumblr
” O vestido de bolinhas verdes”, denunciava uma mistura de inocência, mulher e gozo.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Ainda tenho ele no guarda-roupa…
Beijos
CurtirCurtido por 1 pessoa
Rsrs!..muito bom!👏👏👏
CurtirCurtido por 1 pessoa