Divã

Sede

sede
Ph: Nishant Dange

Daqui da minha janela, onde o vento passeia acariciando a cortina laranja lembro do seu corpo a roçar o meu. Tenho sede de você nas manhãs sem orvalho sem os lilases do gervão a chamar as borboletas.
O vento, lá fora, permanece inalterado em sua rota de devaneio. Desenho no vidro da janela seu nome, dentro de um coração. Já não há mais palavras nas minhas mãos para te entregar. Todas eu repito num frenético gesto de pedir sua volta. O meu desejo precisa do seu sinal, da sua chama, da sua pele para acontecer.

Mariana Gouveia

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