Caderno de Notas

Se você é real por que você não vem?

Eu clave de sol,você clave de fá

“O Bosque existe!
É um dos meus lugares mágicos,
onde minha imaginação
anda de mãos dadas com a realidade.”

(Lya Luft)

Fecho os olhos e penso na possibilidade de a tocar. Embora seja sonho ou imaginação é assim que a toco: como se sagrada fosse.
As mãos desbravam a textura de sua pele e descobre o caminho suave do desejo.

Quase em prece eu fico idolatrando o encontro. Minhas digitais quase sinais de seus poros. É assim que pretendo encontrá-la. Entre quase o delírio e o prazer. Entre quase o delírio e a imaginação. A boca antecede o toque, saliva da vontade que emana em mim.

Chego descalça que é para tocar o chão com os pés e sentir a temperatura do corpo vibrar e subir como o sol que banha as flores do jardim. São os olhos dela que o céu refletia naquilo que eu via.
Desenhava corações em nuvens e era a voz dela que eu sabia e sentia na canção que tocava.

Era a claridade do espaço do abraço que havia. Do calor do corpo. Do tremor das mãos. A essência do dia parece pintura de Monet. O seu vulto na janela só suaviza o momento. Vou ao encontro dela. Calma, serena, úmida. Sedenta, ávida e desejosa. Era mais do que um encontro de mãos que se tocam, se descobrem e se completam. Como elos, se envolvendo, onde uma começa, a outra termina e inicia tudo de novo, até o ápice do amor.

A cortina dança na leveza do vento, eu respiro amor, respiro ela. E como se uma canção ela fosse, dedilho meus versos, poesia de pele e som. Falei dela. Com ela e me contou coisas dos astros, das estrelas. Revelou cenas do futuro: eu e ela de mãos dadas e o paraíso era um jardim;

O jardim que chamo de bosque, de floresta, que é onde a encontro. Transformei minha forma de ver a preto e branco e a colori de mundo, natureza. flor.

Ela era várias infinitudes, com ela agia de modo que não tivesse uma parte, mas, ela era inteira… Seu corpo, loucura e fonte das minhas manias. Meu mundo particular.

 Tão intensamente como se não houvesse mais ninguém. E não há.
Podia ser quase um sonho. Talvez tivesse sido. Mas também não era. Foi real. Podia ter apenas sobrenome de flor e ela era o jardim.

Mariana Gouveia *Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Segunda Edição”, do qual participam as autoras Ana Claudia MarquesIngrid CaldasLuciana NepomucenoLunna Guedes,Maria CininhaTatiana KielbermanThelma Ramalho e a convidada Mariana Gouveia

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