
Não sabia como pronunciar a palavra fé, apenas vivia-a na plenitude do ser.
Às vezes, acontecia coisas gigantes dentro em seu lugar e a isto chamava de milagre.
Havia o costume de vasculhar as gavetas, jogar os papéis velhos fora. Refazia nas memórias os dias… Aqueles retratos antigos ganhavam atenção nas lembranças recentes.
O anel – por medo de perdê-lo – embrulhado no papel de borboleta, na caixinha que veio cabe no dedo dentro das vontades…
Jogava tudo que era velho fora, para depois recolher um a um os acontecimentos.
Deixava por último a reza da sorte.
Mariana Gouveia
*Imagem: Tumblr