infinitamente

Nomeei-te de liberdade

Um dia ela escreveu uma história sobre mim.
Fez com que eu coubesse dentro da latinha de sonhos dela e decorou de laranja para me enfeitar.
Guiou meus dias e me levava para onde quer que fosse.
Pendurada em seu pescoço, dentro da latinha de sonhos, eu podia observar o mundo pelos olhos dela.
Às vezes, ela ria e nesse instante, tudo valia a pena.
Minha gaiola era de lata. Reforçada. Com aves e cores que eu podia sonhar.
Fiquei pequena no espaço. Cresci.
Ganhei abraços, outros nomes. Outras cores.
Outras asas e resolvi voar.
A palavra mais linda que eu conheci ali, ao lado dela era Liberdade.
Quando enfim ela me libertou. Ela ficou livre.
Fui ponto final na história dela.
Continuo reticências dentro da minha história. Voando.

Mariana Gouveia

8 comentários em “Nomeei-te de liberdade

  1. Uma narrativa em que o sujeito da narrativa se desdobra em dois “eus”. “…ela escreveu”…”Fez”…”decorou”…”Guiou”…”me levava”…”eu podia”…pelos olhos dela”…”ela ria”…”ao lado dela”…”ela me libertou”…”ela ficou livre”…”Voando” Expressiva esta dualidade que remete o leitor para a angústia da LIBERDADE. Ausente ou factual a LIBERDADE ? A interrogativa remete o leitor para uma ausência sistémica .Assim parece acontecer 😮 eu presente reduz -se à insignificância “dentro de “uma latinha de sonhos”o outro “eu “decorou de laranja “…levava para onde que fosse “…pendurada ….eu podia observar o mundo “pelos olhos dela”este “eu” parecendo subalterno permitiu -lhe “sonhar com aves e cores” Ao crescer “ganhei abraços,outros nomes, “Outras cores -este substantivo é enigmático, pois sustenta uma plurisignificaçao vasta que se interliga à decisão de voar e eis que surge a palavra LIBERDADE no sentido pleno . Finalmente cada “eu” vivenciou ” a plena LIBERDADE “com mais ou menos reticências … sempre…. VOANDO . Esta narrativa, numa linguagem simples, contém um forte cariz político. Parabéns Amiga Mariana pela defesa da LIBERDADE. MARIA .

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