infinitamente

dos seus pássaros que voaram…

ficou aquele na mão, preso – a gaiola dependurada no peito – sem jeito de asa ou ninho. Contei nos dedos os séculos sem você e o relógio na parede, vazio de horas e em silêncio lembrou-me da vitrola quebrada sem os vinis. A dispensa abarrotada de lembranças e o céu rendado de tela não me permitiu te oferecer asas. Não posso ver daqui, pela janela fechada a alegria nos teus olhos pelo voo dos teus pássaros.

… que marítimos não atravessam para meu rio.

… que brigam com os meus

… que migratórios não atravessam o oceano.

… que os meus voam rasantes com medo do voo perto desse abismo.

… que é essa solidão…

que moram na árvore morta onde não podem fazer ninhos nem migrar para te oferecerem asas.
… que descobrem que a estação muda de acordo com o destino do quintal que não alcança a maresia que alimenta o jardim.

Mariana Gouveia

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