Aquela que dói no peito e bate na porta avisando: não tem jeito. Eu anoto. Não antecipei o contexto. Apenas repeti. E previ. Era outono nas manhãs do nada. Um pássaro morre no meu quintal. Tento fazer a simpatia que minha mãe fazia quando eu era criança. Coloco o pescoço do pássaro em volta dele mesmo. Molho a cabeça dele e depois o coloco debaixo de um balde. Dou as três batidas e mais três. Já não tem vida ali.
Já não há voos na minha manhã sombria. Pensei que seria véspera de asas. Acabou.
– Tem dificuldades em lidar com o que acaba?
– Não! Sou áspera na palavra respirar. Acato. Aceito. Sou submissa na atenção dos dias. O fim é sempre uma porta para um novo começo.
– Mas?
– É a reconstrução de um tecido que já foi rasgado. Ditados populares de séculos – Não deite remendo novo em pano velho – e por aí, vai. Diante da verdade possível fica um vão de medo. Planejei o dia de hoje em uma conversa simples, limpa, feliz e pensei nisto com o coração, lembrei de todas as conversas que quis ter, cafés, sorvetes, sombras e varais repletos de palavras e libélulas penduradas na palavra acariciar.
– E não aconteceu?
– Não. Tive de lidar com a morte logo cedo.
Seria possível remendar sonhos?
Anoto eu mesma a minha resposta.
A verdade é que às vezes, é preciso enfrentar a verdade.
Há um pássaro vazio de voo na minha mão.
Hoje, ela não fala…
Mariana Gouveia – Divã

…na infância eu aprendi que calças velhas viram bolsas. Depois aprendi que camisetas viram fronhas e que sapatos velhos viram poças para pássaros. De tempos em tempos um aprendizado. Só não aprendi ainda como os sonhos foram parar nos balcões das padarias. rs
bacio
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Acho que alguma menina levada começou a preparar uma massa, produziu leveza, fez um creme e serviu.
Era bom demais para ser servido apenas em um pedaço. Tiveram de vender na padaria.
Aqui na minha cidade, vendem em algumas esquinas. Fica lá uma moça, de riso fácil e olhar perdido. Uma mesinha e uma vitrine pequena. Dentro, os sonhos e uma tabuleta escrita: Sonhos, 4 reais.
Já houve dias que era 1 real.
Vou tirar uma foto na próxima vez, para tu ver.
Toda vez que vejo, dá vontade de perguntar quais os sonhos dela – assim, esses que viram poesias e que movimenta meu imaginário.
Ando reciclando os meus, assim, como minha saia já virou bolsa…
bacio, bambina mia…
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Divina inspiração. Parabéns!!!
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Saudade de tu, Lua!
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A vida em sua verdade… e instigante… buscar respostas para as perguntas que não temos… Mais a busca é sempre um caminho sem volta…
E muito afável ver o mundo por suas palavras..
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eu fico lisonjeada, Alvaro! Grata!
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